Formigas Cortadeiras


O texto abaixo é parte da revisão de literatura da dissertação de mestrado do autor, defendida no Curso de Pós-Graduação em Engenharia Florestal da UFPR em 1996, intitulada “Avaliação do uso de três tipos de porta-iscas no controle de formigas cortadeiras, em áreas preparadas para a implantação de povoamentos de Pinus taeda L.


Posição Sistemática das Formigas Cortadeiras

Autor – Nilton José Sousa

As formigas cortadeiras estão situadas dentro do reino Animal, Filo Arthropoda, Classe Insecta. Segundo THOMAS (1990), este grupo de insetos, é composto de 5 gêneros, dentro da seguinte posição sistemática:

Ordem: Hymenoptera
Subordem : Apocrita
Superfamília : Formicoidea
Família: Formicidae
Sub-família: Myrmicinae
Tribo : Attini
Gênero: Atta
Acromyrmex
Sericomyrmex
Trachymyrmex
Micoceporus

Em função de sua importância econômica no Brasil, as principais pesquisas e publicações sobre formigas cortadeiras estão concentradas nos gêneros Atta e Acromyrmex, conhecidas popularmente pelas denominações de Saúvas e Quenquéns.

OCORRÊNCIA DE FORMIGAS CORTADEIRAS

Aas formigas cortadeiras do gênero Atta (saúvas), são insetos americanos, não estando presentes na Europa, Ásia, África e Oceania. Na América, sua área de dispersão vai do sul dos Estados Unidos até o norte da Argentina. Assim, todos os países americanos compreendidos nesta região têm saúvas, exceto o Chile, algumas ilhas das Antilhas e o Canadá.
O gênero Acromymex é próprio da América, sua distribuição começa na Califórnia (Estados Unidos), seguindo pelo México e continuando pela América Central e por todos os países da América do Sul (exceto Chile), até a Patagônia (Argentina). Ocorre também em Cuba e Trinidad Tobago.

ESPÉCIES DE FORMIGAS CORTADEIRAS ENCONTRADAS NO BRASIL

a) Gênero Atta

No Brasil o gênero Atta e representado pelas espécies e subespécies, listadas a seguir:

01) Atta bisphaerica Forel, 1908 - “Saúva-mata-pasto”

02) Atta capiguara Gonçalves, 1944 - “Saúva-parda”

03) Atta cephalotes (Lineu, 1758) - “Saúva-da-mata”

04) Atta goiana Gonçalves, 1942 - “Saúva”

05) Atta laevigata (F.Smith, 1858) - “Saúva-de-vidro”

06) Atta opaciceps Borgmeier, 1939 - “Saúva-do-sertão-do-nordeste”

07) Atta robusta Borgmeier, 1939 - “Saúva-preta”

08) Atta sexdens piriventris Santschi, 1919 - “Saúva-limão-sulina”

09) Atta sexdens rubropilosa Forel, 1908 - “Saúva-limão”

10) Atta sexdens sexdens (Lineu, 1758) - “Formiga-da-mandioca”

11) Atta silvai Gonçalves, 1982 - “Saúva”

12) Atta vollenweideri Forel, 1939 - “Saúva”

b) Gênero Acromyrmex

No Brasil o gênero Acromyrmex e representado pelas espécies e subespécies, listadas a seguir:

01) Acromyrmex ambiguus Emery, 1887 - “Quenquém-preto-brilhante”

02) Acromyrmex aspersus (F.Smith, 1858) - “Quenquém-rajada”

03) Acromyrmex coronatus (Fabricius, 1804) - “Quenquém-de-árvore”

04) Acromyrmes crassispinus Forel, 1909 - “Quenquém-de-cisco e quenquém”

05) Acromyrmex diasi Gonçalves, 1983

06) Acromyrmex disciger Mayr, 1887 - “Quenquém-mirim e formiga-carregadeira”

07) Acromyrmex heyeri Forel, 1899 - “Formiga-de-monte-vermelha”

08) Acromyrmex hispidus fallax Santschi, 1925 - “Formiga-mineira”

09) Acromyrmex hispidus formosus Santschi, 1925

10) Acromyrmex hystrix (Latreille, 1802) - “Quenquém-de-cisco-da-amazônia”

11) Acromyrmex landolti balzani Emery, 1890 - “Boca-de-cisco, formiga-rapa-rapa, formiga-rapa e formiga-meia-lua”

12) Acromyrmex landolti fracticornis Forel, 1909

13) Acromyrmex landolti landolti Forel, 1884

14) Acromyrmex laticeps Emery, 1905 - “Formiga-mineira e formiga-mineira-vermelha”

15) Acromyrmex laticeps nigrocetosus Forel, 1908 - “Quenquém-camperira”

16) Acromyrmex lobicornis Emery, 1887 - “Quenquém-de-monte-preta e formiga-de-monte-preta”

17) Acromyrmex lundi carli Santschi, 1925

18) Acromymex lundi lundi (Guérin, 1838) - “Formiga-mineira-preta”

19) Acromyrmex lundi pubescens Emery, 1905

20) Acromyrmex muticinodus (Forel, 1901) - “Formiga-mineira”

21) Acromyrmex niger (F. Smith, 1858)

22) Acromyrmex nobilis Santschi, 1939

23) Acromyrmex octospinosus (Reich, 1793) - “Carieira e quenquém-mineira-da-amazônia”

24) Acromyrmex rugosus rochai Forel, 1904 - “Formiga-quiçaça”

25) Acromyrmex rugosus rugosus (F. Smith, 1858) - “Saúva, formiga-lavradeira e formiga mulatinha”

26) Acromyrmex striatus (Roger, 1863) - “Formiga-de-rodeio e formiga-de-eira”

27) Acromyrmex subterraneus bruneus Forel, 1911 - “Quenquém-de-cisco-graúda”

28) Acromyrmex subterraneus molestans Santschi, 1925 - “Quenquém-caiapó-capixaba”

29) Acromyrmex subterraneus subterraneus Forel, 1893 - “Caiapó”

ESPÉCIES DE FORMIGAS CORTADEIRAS DE IMPORTÂNCIA FLORESTAL NO ESTADO DO PARANÁ

a) Gênero Atta

Primitivamente, nas florestas do Paraná, não havia saúvas. Estas entraram no estado seguindo o caminho da colonização. As principais espécies de interesse florestal, deste gênero no Paraná são:
• Atta sexdens rubropilosa
• Atta sexdens piriventris
• Atta laevigata

b) Gênero Acromyrmex

As epécies de interesse florestal no estado do Paraná são:
• Acromyrmex aspersus,
• Acromyrmex crassispinus,
•Acromyrmex disciger,
• Acromyrmex niger,
• Acromyrmex subterraneus subterraneus.

HISTÓRICO DOS GÊNEROS Atta E Acromyrmex

Estudos antropológicos parecem indicar que as migrações de tribos indígenas sul-americanas estão associadas à infestação de suas roças por saúvas.
O primeiro a escrever sobre as saúvas foi o Padre José de Anchieta, em 1560 com a seguinte frase: “Das formigas só parecem dignas de menção as que destróem as árvores, são chamadas de iças e trituradas cheiram a limão”. Gabriel Soares de Sousa, em 1587, descreveuas saúvas, seus danos e costumes e o primeiro método de controle: um sulco raso no solo, em volta da árvore, cheio de água. Entretanto, esse autor completa o assunto dizendo que, às vezes, uma folha caída de atravessado no sulco servia de ponte para as formigas.
A enumeração dos pesquisadores que abordaram o assunto ou estudaram as formigas cortadeiras é enorme, destacando Saint' Hilaire, que percorreu o interior do Brasil de 1816 a 1822, a quem e atribuída a seguinte frase: "Ou o Brasil mata a saúva ou a saúva mata o Brasil". Segundo o autor, nas últimas décadas podemos citar Cincinnato R. Gonçalves, que percorreu quase todo o Brasil coletando material, identificando as espécies e anotando seus hábitos, deixando valiosíssimos conhecimentos; Mario Autuori que dedicou-se principalmente ao estudo da biologia e estrutura dos ninhos das espécies encontradas em São Paulo; Elpídio Amante que estudou os sauvicidas antigos e modernos, principalmente as formulações granuladas (iscas).
Quanto as formigas do gênero Acromyrmex, em algumas regiões do Brasil, estas chegam a ser um problema maior do que as próprias saúvas. Algumas citações relatam que este gênero tem sido uma ameaça para a produtividade florestal, afetando principalmente mudas e brotações, podendo ocasionar danos em árvores adultas.

ALIMENTAÇÃO DAS FORMIGAS CORTADEIRAS

Durante muito tempo pensou-se que o material vegetal cortado e carregado para o interior do formigueiro fosse consumido diretamente como alimento pelas formigas, o que não acontece. Escavando-se um formigueiro, encontra-se em suas câmaras subterrâneas uma massa esponjosa de cor branco-acinzentada, constituída pelo material vegetal que as formigas carregam para o interior de seus ninhos, cortado em minúsculos pedaços e por um fungo, que se desenvolve nutrido pelos vegetais picados.
Alguns estudos minuciosos sobre os fungos cultivados pelas formigas cortadeiras, especialmente as do gênero Acromyrmex, relatam que tal fungo necessita de substrato de origem vegetal para o seu desenvolvimento, sendo a celulose a principal fonte de carbono para o meio.

ASPECTOS BIOLÓGICOS

As formigas cortadeiras são insetos sociais, divididos em castas temporárias (iças e bitus) e castas permanentes (rainha, operárias (jardineiras e carregadeiras) e soldados). As castas têm tamanhos e atividades diferenciadas dentro da colônia, conforme descrição a seguir: as iças e bitus surgem em formigueiros adultos, alguns meses antes da revoada, recebem tratamento e alimentação diferenciada e são maiores que os soldados e operárias; a rainha depois da revoada e fecundação forma um novo formigueiro, é após o nascimento das primeiras operárias passa a ter como tarefa exclusiva a postura de ovos, e o maior indivíduo do formigueiro; as operárias jardineiras são os menores indivíduos da colônia, e tem como tarefa a manutenção da colônia de fungos; as operárias carregadeiras são maiores que as jardineiras, é sua função e a localização corte e transporte de material vegetal para o interior do formigueiro; os soldados são maiores que as carregadeiras é sua função e a proteção da colônia. A longevidade das operárias e soldados e de no máximo 6 meses, quanto ao tempo de vida dos formigueiros, em laboratório sauveiros chegam a 15 anos de vida e formigueiros de quenquém a 7 anos. Os ninhos das formigas são construídos no solo e podem ter várias panelas, que ocupam muitos metros quadrados, contendo milhões de indivíduos no gênero Atta. No gênero Acromyrmex os formigueiros são formados por milhares de indivíduos e possuem uma ou mais panelas.

DANOS CAUSADOS POR FORMIGAS CORTADEIRAS

Vários autores destacam as saúvas como os insetos que maiores danos causam à atividade agro-pastoril-florestal. Algumas espécies desfolham, indistintamente, mono e dicotiledôneas e por este motivo constituem a pior praga das florestas implantadas, sendo responsáveis por significativas perdas, ou mesmo por um investimento para seu controle que pode chegar à 30% do custo da floresta no final do terceiro ciclo.
Muitas pessoas acreditam que as quenquéns (Acromyrmex), não possuem potencial para provocar danos acentuados principalmente em árvores. Porém, na prática estas formigas provocam danos a uma variedade ampla de plantas, como pinheiros, gramíneas e dicotiledôneas. Constituem-se em importantes pragas nas áreas de reflorestamento, principalmente naqueles com eucalipto, onde árvores adultas têm as folhas e brotações cortadas, e as perdas podem atingir 50% do povoamento.
Árvores de Pinus caribaea var. hondurensis e Gmelina arborea sofrem perdas tanto em diâmetro como em altura devido à ação desfolhadora das formigas, sendo o diâmetro o mais afetado. Quanto à mortalidade de plantas de Pinus caribaea var. hondurensis, existe tendência em aumentar com o aumento da intensidade de desfolha, ao passo que em Gmelina arborea a mortalidade não é influenciada devido ao desfolhamento.
Segundo alguns autores, são necessárias 86 árvores do gênero Eucalyptus e 161 do gênero Pinus para abastecer com substrato um sauveiro adulto durante um ano, num total de uma tonelada de vegetal. Considerando-se uma média de 4 sauveiros adultos por hectare, tem-se um consumo teórico de quatro toneladas de folhas, correspondendo a 344 árvores de Eucalyptus spp. e 644 árvores de Pinus spp. Entretanto, esses dados parecem estar superestimados, pois foram baseados no fator de conversão proposto por Autuori o qual não se refere à realidade.
Outros autores citam que entre as pragas iniciais que atacam o gênero Eucalyptus, estão relacionadas as formigas cortadeiras (Atta spp. e Acromyrmex spp.), seguidas pelas lagartas, besouros rendilhadores e outros insetos polífagos que, eventualmente, alimentam-se de folhas. O mesmo autor qualificou os danos relativos à ação das formigas nos eucaliptais, da seguinte maneira: uma árvore morre após suas folhas serem cortadas três vezes seguidas; um formigueiro necessita, por ano, de uma tonelada de folhas para sobreviver; com 12 formigueiros por hectare, não se encontra uma única árvore viva, na área; um formigueiro de 10 metros quadrados pode, potencialmente, matar 37 árvores, o que equivale a 3,6 metros estéreos por hectare; uma infestação de 200 formigueiros/ha (formigas quenquém) resulta em 30% de perda das cepas (brotação).
Entre as formigas, aquelas que causam maiores danos são as do gênero Acromyrmex. Esta situação se deve ao seguinte: o controle sistemático dado às formigas do gênero Atta, com métodos de controle mais definidos e eficientes; o menor número de espécies do gênero Atta de importância florestal, propiciou maiores estudos sobre as mesmas; ninhos de Atta spp. são mais evidentes.

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O texto abaixo é parte da revisão de literatura da dissertação de mestrado do autor, defendida no Curso de Pós-Graduação em Engenharia Florestal da UFPR em 1996, intitulada “Avaliação do uso de três tipos de porta-iscas no controle de formigas cortadeiras, em áreas preparadas para a implantação de povoamentos de Pinus taeda L.

Controle de Formigas Cortadeiras

Autor – Nilton José Sousa

Um dos pontos fundamentais para o sucesso de um empreendimento florestal é o controle das formigas cortadeiras, conhecidas pelas denominações de saúvas, pertencentes ao gênero Atta e de quenquéns pertencentes aos gêneros Acromyrmex, Mycocepurus, Sericomyrmex e Trachymyrmex.
Um dos problemas do controle de formigas cortadeiras é que na maioria dos reflorestamentos, esta atividade tem se baseado em programação de calendário, não levando em consideração a região e as espécies de formigas, bem como a infestação, sendo que muitos leigos questionam sobre a importância da identificação correta dos insetos, pois segundo afirmam, o importante é matá-las. Nem sempre matar o inseto é viável, pois o controle, ou seja, a morte do inseto, terá que ser sempre menor que o custo do dano causado.
Ainda sobre a identificação correta, este é o primeiro passo para se chegar ao manejo das pragas, pois é a chave para a busca de informações sobre a biologia, dinâmica populacional, comportamento, danos e outros dados que constituem importantes fontes para o desenvolvimento de medidas de controle, sendo recentes os estudos que procuram elucidar a relação destes insetos com os ecossistemas florestais. Tais informações podem auxiliar na adequação e racionalização dos métodos de controle, contribuindo desta forma para o aumento da eficiência e a redução dos custos de controle.
Entre os vários métodos utilizados para o controle de formigas cortadeiras destacam-se os seguintes métodos: mecânicos, por ocasião da instalação dos formigueiros novos é possível identificá- los e destruí-los mecanicamente cavando-os; culturais que consistem em aração e gradagem, culturas armadilhas e resistência de plantas; biológicos e naturais, que envolvem fatores climáticos e ação de predadores e parasitóides, como pássaros e moscas da família Phoridae, ou com a utilização de fungos entomopatogênicos; químicos, que consistem na utilização de produtos químicos.
Em relação ao método químico, várias são as formas de se proceder o controle das formigas cortadeiras, estes diferem principalmente pela formulação e modo de aplicação. De uma maneira geral, os formicidas podem ser classificados em 5 formulações diferentes: pós secos; concentrados emulsionáveis; gases liquefeitos; soluções nebulígenas e iscas granuladas.
A isca granulada para ser eficiente e econômica, deve ser atrativa às formigas, de modo que sejam transportadas para o interior dos ninhos. Deve conter um inseticida altamente específico e de toxicidade tal que se manifeste em toda a colônia após sua introdução. Além disso, essa toxicidade a mamíferos tem de ser baixa. Deve mostrar-se resistente à umidade, chuvas e temperatura, apesar de ser biodegradável.
O uso de iscas tóxicas para controlar formigas teve início no ano de 1926 com Marques. Posteriormente diversos outros tipos de iscas foram testadas, até que Gonçalves, testou iscas formuladas à base de Aldrin e observou uma mortalidade de 75% nos sauveiros tratados com suas iscas. Em 1964, colônias de Atta cephalotes, foram controladas com iscas a base de Dodecacloro (Mirex), em uma área de 40 ha, super-infestada, com eficiência de até 100% de controle.
Em 1968, alguns autores pesquisando o custo comparativo de controle às formigas cortadeiras (saúvas) e empregando todos os tipos tradicionais de tratamento e ainda o uso de iscas granuladas, com interação de custo do produto, eficiência e mão de obra requerida, chegaram a conclusão de que o melhor e mais barato método de controle é por meio de iscas.
A partir destes testes, as iscas granuladas foram consideradas como o método ideal para o controle de formigas cortadeiras, pois são de fácil aplicação, dispensam aparelhos e não apresentam perigos de intoxicação que o manejo de outros tipos de formicidas causam, além de apresentarem um alto grau de eficiência, aponto de substituírem outros métodos, como a termonebulização e fumigação com brometo de metila.
Segundo alguns autores, as iscas à base de Dodecacloro apresentaram os melhores resultados no controle a formigas cortadeiras, tornando-se padrão para o controle de formigas cortadeiras dos gêneros Atta e Acromyrmex, em reflorestamentos. Este produto apresentava alta eficiência, mas possuia desvantagens, tais como ser persistente no ambiente e cumulativo na cadeia alimentar, podendo apresentar problemas como contaminação de animais domésticos, selvagens e aquáticos. Por estes motivos este produto passou a sofrer pressões cada vez maiores da sociedade, que culminaram com a Portaria 91 de 30/11/1992 do Ministério da Agricultura, proibindo a partir de 01/05/1993 o registro, a produção, a importação, a exportação, a comercialização e a utilização de iscas formicidas à base de Dodecacloro em todo o território nacional.
A partir da proibição do Dodecacloro vários produtos foram testados, entretanto, apenas a molécula Sulfluramida atendeu a todas as exigências dos testes toxicológicos e de eficiência exigidos pelo IBAMA, Ministério da Agricultura e Ministério da Saúde, mostrando baixa toxicidade aguda, subcrônica e crônica para a maioria dos seres vivos.
A Sulfluramida foi desenvolvida nos Estados Unidos como uma substância para controlar formigas e baratas em residências, pertence ao grupo químico das Sulfonamidas fluoroalifáticas. Seu modo de ação é por ingestão e a composição das iscas apresenta 0,3% de princípio ativo e 99,7 % de atrativos e material inerte. O produto apresenta tem 42,59% de biodegradação em 28 dias, a biodegradabilidade no solo ocorre entre 90 e 120 dias.
Após a determinação dos dados citados acima, vários testes foram realizados com iscas granuladas à base de Sulfluramida, sendo que estas apresentaram excelentes resultados para o controle de formigas cortadeiras, comparáveis aos apresentados por iscas à base de Dodecacloro.

APLICAÇÃO DE ISCAS GRANULADAS

Uum dos principais problemas para o controle das formigas cortadeiras (Atta spp. e Acromyrmex spp.), em florestas implantadas é a localização dos formigueiros em estágios iniciais de desenvolvimento, para que sejam seguramente exterminados. Dentre os métodos existentes para o controle de formigas cortadeiras, as iscas granuladas têm sido preferidas por sua facilidade de aplicação, dispensando o uso de equipamentos onerosos.
Vários autores citam as iscas formicidas como o método mais eficiente, econômico e seguro para o homem controlar formigas cortadeiras em áreas florestais, sendo que, o método tradicional de aplicação de iscas, que consiste na distribuição de iscas a granel nos formigueiros, apresentam alguns inconvenientes, como: a impossibilidade de trabalhar todos os dias do ano, devido às chuvas, dificultando o planejamento das operações e de outras atividades interdependentes; a perda de material e horas trabalhadas devido às chuvas imprevisíveis e à umidade do ambiente; o elevado custo da aplicação das iscas; a intoxicação de animais silvestres ou domésticos; a necessidade de eliminação do sub-bosque para localizar os formigueiros, implicando em dispêndio de recursos e em redução da diversidade biológica do ambiente.
Entretanto, mesmo com estes inconvenientes, as iscas ainda representam o melhor método para o controle de formigas cortadeiras. Assim, foi desenvolvido um sistema de distribuição das iscas no campo, que facilita sobremaneira seu emprego reduzindo os inconvenientes do seu uso, que é a utilização de porta-iscas.

PORTA-ISCAS

Um porta-iscas deve atender aos seguintes requisitos: comportar uma quantidade relativamente grande de isca; proteger as iscas contra a chuva, umidade e animais silvestres; permitir uma ventilação eficiente, para que não ocorra condensação de vapor de água e permita a liberação do odor da isca para a atratividade; evitar o aquecimento interno, que seria prejudicial à isca; possibilitar o controle preventivo e intensivo dos sauveiros, mesmo que sejam de difícil localização. Existem dois tipos de porta-iscas, o convencional e o micro-porta-iscas (MIPI).

a) Porta-iscas convencional (Copo)

O porta-iscas consiste em copos de papel parafinado externamente, de formato cônico, com dimensões de 6,0 x 6,0 x 7,0 cm, respectivamente, diâmetro da base, altura e diâmetro da boca. Possuem 6 orifícios laterais equidistantes de um centímetro de diâmetro.
De acordo com os autores, a isca é envolvida em plástico transparente de 25 x 25 cm, 0,2 mm de espessura, que é colocado dentro do copo e este é tampado. Este plástico é banhado anteriormente em água açucarada, na concentração de 40 gramas de açúcar para um litro de água, atuando como atrativo às formigas, reduzindo em média para duas a quatro horas a localização do porta-iscas pela formiga , ao passo que sem o atrativo, o porta-iscas permanece de 10 a 30 dias até ser descoberto, podendo ocorrer perda das iscas por penetração de umidade.

b) Micro-porta-iscas (MIPI)

O porta-iscas MIPI, consiste em um saquinho plástico, que contém em seu interior determinada quantidade de isca formicida, com as dimensões de 6 x 8 cm, com espessura de 0,06 mm, na cor juta, que permite que o saquinho confunda-se com as folhas que estão no solo. A dosagem de isca normalmente utilizada é de 10 gramas por recipiente plástico, com preferência para a micro-isca granulada, para facilitar o controle de quenquéns.

EFICIÊNCIA DOS PORTA-ISCAS

Com a distribuição regular de porta-iscas, torna-se desnecessária a localização e medição de todos os formigueiros, bastando apenas algumas amostragens para que se conheça a taxa de infestação das áreas reflorestadas, para determinar a densidade de porta-iscas por hectare.
Em 1982, diversos protótipos de porta-iscas foram testados, os quais apresentaram resultados animadores, embora necessitassem de aperfeiçoamento na sua construção. Quando a distribuição de iscas com porta-iscas foi comparada com os métodos tradicionais, evidenciaram-se uma série de vantagens técnicas, ecológicas e econômicas destes recipientes.
Quanto a eficiência de porta-iscas, estes podem ter 100% de eficácia quando os formigueiros apresentam superfície aparente maior ou igual a um metro quadrado. Neste caso, as áreas eliminadas de formigueiros de saúvas em florestas é de praticamente 100%, em três meses. Para o controle de quenquéns os porta-iscas convencionais são mais limitados, embora algumas pesquisas realizadas no Vale do Rio Doce - MG, observaram a eliminação de todos os formigueiros em 75 dias, com porta-iscas convencionais.
Em relação ao porta-iscas tipo MIPI com 5 a 10 gramas de iscas, observou-se que estes tem maior probabilidade teórica de sucesso no controle de quenquéns, pois a nuvem de pontos aumenta consideravelmente (10 vezes). O custo dos MIPI é 7 vezes mais baixo que o porta-iscas convencional e os custos de distribuição também sensivelmente mais baixos. Porém deve ser lembrado que os MIPI também apresentam desvantagens, sendo a principal dificuldade determinar antes da aplicação a densidade mais adequada para cada área, proporcionando uma quantidade de iscas sem excessos, que seja eficaz para eliminar os formigueiros. Os autores que avaliaram este tipo de porta-iscas, observam que o uso do micro-porta-iscas, com quantidade maior de isca certamente implicariam num aumento do consumo parcial, causado principalmente pelas formigas do gênero Acromyrmex, que têm necessidade de consumo menor do que as saúvas. Assim os MIPIS tornam-se muito mais eficazes para quenquéns do que o porta-iscas convencional, que apresenta dosagem maior de isca.
Os MIPI intactos, desde que tenham vedação perfeita e sejam confeccionados com material apropriado, podem ter vida útil no campo por mais de 4 meses, podendo agir de maneira preventiva contra uma reinfestação de formigas, o que é muito importante na fase inicial de uma floresta.

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Alternativas para o Controle de Formigas Cortadeiras

Boson, A. C. F. (Bolsista UFPR/TN)
Sousa, N. J. (Orientador – professor do Departamento de Ciências Florestais) - nsousa@floresta.ufpr.br

RESUMO

As formigas cortadeiras são consideradas pragas por atacarem plantas situadas em áreas comerciais como reflorestamentos, pastagens e cultivos agrícolas. O controle químico é considerado o método mais eficiente para o controle destes insetos, porém o seu uso tem sofrido uma série de restrições ecológicas que no futuro podem inviabilizar a sua utilização. Com o objetivo de encontrar soluções para este problema o Laboratório de Proteção Florestal da UFPR criou um projeto intitulado "Alternativas para o controle de formigas cortadeiras". Na primeira etapa foram testados extratos de plantas como: arruda (ruta spp), alecrim (vandalia spp), e gergelim (sesamum spp), em formigueiros do gênero Acromyrmex, porém estes se mostraram ineficientes, devido provavelmente à sua concentração e no futuro serão testados novamente com uma metodologia mais adequada. No momento a pesquisa foi direcionada para laboratório, onde estão sendo realizados testes sobre o fungo simbionte das formigas, que são cultivados em meio artificial. A alternativa testada são as sementes do gergelim (Sesamum sp.). Para tanto estas foram misturados ao meio de cultura, onde após autoclavagem foi inoculado uma porção do fungo simbionte. A testemunha é o meio de cultura puro. Os resultados destes testes demonstraram que o fungo cresce em média 8,95 cm para 7 dias, no meio base, e o fungo cresce em média 7,68 cm para 7 dias, no meio com sementes. Segundo a metodologia aplicada, as sementes de gergelim inibem significativamente o crescimento do fungo, a partir do sétimo dia. A etapa final deste projeto será avaliar no campo, em povoamentos comerciais, as alternativas que forem eficientes nos formigueiros do laboratório.

Palavras-chave:1) formigas cortadeiras; 2) gênero Acromyrmex; 3) controle biológico



Formiga cortadeira do Gênero Acromyrmex, carregando folhas de acácia-negra, numa área de recuperação pertencente à PETROBRÄS, em São Mateus do Sul, PR.


Avaliação do uso de três tipos de porta-iscas no controle de formigas cortadeiras em áreas preparadas para implantação de povoamentos de Pinus taeda L.

Autor: Nilton José Sousa
Orientador:
Prof. Dr. Eli Nunes Marques
Ano de conclusão: 1996

RESUMO

Este trabalho foi realizado no município de Itapeva, estado de São Paulo, em áreas de queima controlada e microcultivo (cultivo mínimo), preparadas para a implantação de povoamentos de Pinus taeda L. Teve como objetivo testar a eficiência de três modelos de porta-iscas (Copo, Formicil e MIPI), utilizados no controle de formigas cortadeiras (Hymenoptera : Formicidae). As etapas do trabalho foram a identificação das espécies de formigas cortadeiras existentes na região, determinação do porta-iscas mais eficiente entre os modelos testados, determinação da melhor densidade entre os porta-iscas testados e avaliação do consumo de mudas de P. taeda., após o uso dos recipientes. Foram identificadas as espécies Acromyrmex aspersus (F. Smith, 1858), Acromyrmex crassispinus Forel, 1909 e Atta sexdens rubropilosa Forel, 1908. Entre os formigueiros encontrados 98% pertenciam ao gênero Atta, e tinham menos de 1 m2 de área aparente. Os formigueiros presentes na área de microcultivo consumiram o maior número de mudas e de iscas. As densidades que distribuíram as maiores quantidades de recipientes por parcela, apresentaram o maior consumo de iscas, com exceção do porta-iscas tipo Formicil. A proteção das iscas dada pelos recipientes, tem relação direta com a ocorrência de chuvas. Entre os porta-iscas testados o modelo tipo Copo apresentou a melhor eficiência relativa sendo considerado o melhor entre os testados e o modelo Formicil o pior. De maneira geral nenhum dos porta-iscas testados mostrou uma eficiência de 100%, no entanto protegeram as mudas que foram significativamente mais consumidas nas parcelas testemunhas.

ABSTRACT

The objective of this work was test the efficiency of three models of bait holder (Copo, Formicil and MIPI), used in the control of leaf-cutter ants (Hymenoptera, Formicidae). The work was developed in the municipality of Itapeva, São Paulo State, in areas of burn controled and microcultivation, prepared for the implantation of Pinus taeda L. stands. The phases of the work were the identification of the leaf-cutter ants in the region, determine the most efficient bait holder among the models tested and determine the best density among the bait holder. The species Acromyrmex aspersus (F. Smith, 1858), Acromyrmex crassispinus Forel, 1909 and Atta sexdens rubropilosa Forel, 1908 were identified. Among the ant-hills found 98% belonged to Atta genus, and had less than 1 square meter of apparent area. The area of microcultivation presented the bigger consumption of seedlings and bait. The densities that distributed bigger quantities of recipients by parcel, presented the bigger consumption of bait, excepting the bait holder Formicil. The protection of the baits in the recipients, has direct relation with the rain occurrence. Among the bait holder tested the model Copo was considered the best and the model Formicil the worst. In a general way no bait holder were really efficient even that they protected the seedlings that were more consumed in the testimony parcels.


Análise econômica da atividade de formigas cortadeiras e da financeira de um povoamento de Eucalyptus spp no estado do Mato Grosso

Autor: ROMANO TIMOFEICZYK JÚNIOR
Orientador: Prof. Titular Vamberto Santana
Ano de conclusão: 1998

RESUMO

Este estudo foi realizado com dados coletados no município de Cuiabá, estado do Mato Grosso, em áreas plantadas com Eucalyptus spp, cuja finalidade é fornecer lenha para a unidade fabril de uma empresa. Foram processadas todas as informações operacionais compreendidas no período de 1990 a 1997, visando alcançar os seguintes objetivos: 1) Avaliar economicamente a atividade de controle de formigas cortadeiras e a sua participação na estrutura de custos da empresa; 2) Identificar e analisar os componentes de custos da atividade de controle de formigas cortadeiras; 3) Avaliar a eficiëncia do controle de formigas nas fases de pré-plantio, plantio e manutenção, e determinar qual a espécie mais suscetível ao ataque destas pragas; 4) Determinar qual a participação de cada atividade do processo de produção florestal no custo da madeira em pé; 5) Avaliar a competitividade dos custos de implantação e manutenção florestal, face aos dados observados na empresa; 6) Determinar, a diferentes taxas de juros, a quantidade mínima de madeira produzida necessária para que um determinado projeto da fazenda seja viável sob o ponto de vista econõmico. Até 1992, com a utilização de isca a base de dodecacloro, este insumo participava com 42% dos custos totais, enquanto a participação da mão-de-obra girou em torno de 48%. A Lei Federal 7.802189, através da portaria 91, de novembro de 1992, proibindo o uso de organoclorados como defensivos agrícolas no Brasil, incrementou o uso de isca formicida à base de sulfluramida. Este insumo passou a ter maior participação nos custos totais, com 60%, enquanto a mão-de-obra caiu para 35%. Os outros componentes de custo têm pouca participação nos custos totais. A partir de 1996, começou haver um equilíbrio na participação dos custos, porém a isca formicida é a que apresenta maior sensibilidade para a redução ou aumento dos custos de controle. A participação da atividade de controle a formigas cortadeiras no período considerado foi de 2,3%, e a espécie de Eucalyptus pellita mostrou-se mais suscetível ao ataque das formigas. A empresa apresenta custos operacionais abaixo dos custos médios observados em empresas florestais situadas em algumas bacias hidrográficas do estado de São Paulo. Apenas 24,1% da área plantada apresenta-se rentável a juros de 0%, e com taxas superiores a 6%, o projeto não é viável, demonstrando a necessidade de realizar pesquisas silviculturais visando aumentar a produtividade florestal.

ABSTRACT

This study was carried out with data collected in the Cuiabá City in the State of Mato Grosso, in an area with Eucalyptus spp plantation which finality is to supply fuel wooden for plant of a company. It were worked all operational information from 1990 to 1997 on order to obtain the following objectives: 1 ) tó evaluate economically the activities of ants pest control and i1s sharing in the cost structure of the company; 2) to identify and analyze the cost components of the ants pest control activities; 3) to evaluate the efficiency of ants pest control during the pre-plantation, plantatíon and maintenance and to determine what is species more susceptible to attack of these pests: 4) to determine what is the sharing of each activity of forest production process into stumpage cost; 5) to evaluate the competitivity of the forest establishment and maintenance costs, in the face of the data that had obtained the company; 6) to determine, at different interest rates, the minimal quantity of wood produced necessary in order for a determinate project of company would be feasible under economic point of view. Until 1992, with tinder' dodecachlorine, this input accounted for 42% of total cost, as long as man-power accounted for about 48%. The 7.802/89 federal act, by its 91 government edict , dated in November of 1992, forbade the organochlorine as agricultural defensible in Brazil. So, it was begun the use of "sufluramìda" based ants tìnder. Thìs input accounted for 60% in the total cost, as fong as the man-power participation decreased to 35°fo. The other cost components have a low participation in the tatal cost. After 1996, it began to have an trade off in cost sharing, however, the ants tinder is that present the more sensíbility for decreasing or increasing of control cost. The ants control activity accounted for 2.3°k in this period. The Eucalyptus pellita gave sígns that it ís more susceptible to ants attacks. Only 24.1 % of the planted area is economically feasible at 0% of interest rate. Hovvever, with interest rate above than 6°k the project is not economically feasible. It demonstrated that is necessary to develop silvicultural researches to increase the forest productivity.