Cuscuta

Pesquisa de Luciana Leal - Engª Florestal - UFPR - llealll@floresta.ufpr.br

Nome científico: Cuscuta racemosa Mart. Família: Convolvulaceae

Fios-de-ouro, cipó-dourado , cipó - chumbinho, cuscuta, cipó-chumbo, xirimbeira

A cuscuta ou cipó-chubinho é uma espécie trepadeira que cresce sobre a vegetação, parasitando a planta hospedeira (1). Os habitats variam com as plantas hospedeiras, mas geralmente parasitam plantas que crescem em áreas perturbadas (2).

           Não possui folhas, nem sistema radicular verdadeiro. Seus caules são em forma de fios ou cordões alaranjados (figura 1), algumas vezes esbranquiçados, com múltiplas ramificações, observando-se emaranhados nas copas das plantas (3). As inflorescências são panículas ou cimeiras, formadas por minúsculas flores, de coloração amarela ou branca, com floração ocorrendo de setembro a fevereiro.(4)

Possui órgãos de sucção com os quais ataca o hospedeiro, podendo crescer até 7,0 cm/dia em condições favoráveis (5). Ela envolve toda a planta hospedeira, perfurando-a para obter os nutrientes necessários, não tendo, assim, gasto energético para a realização da fotossíntese (6). Nos ramos da planta parasitada, suas ramificações se fixam, elicoidalmente, emitindo um a vários haustórios a partir da interface de contato para dentro do órgão parasitado (3). Como ela obtém os nutrientes da planta hospedeira, assume-se que ela não é capaz de fotossintetizar. Porém, dados indicam que ela é capaz de fixar CO 2 e provavelmente usa sua capacidade fotossintética depois da morte da planta hospedeira (6).

Em países de clima temperado, a cuscuta produz flores e sementes. Estas funcionam como órgãos de resistência, sobrevivendo no chão ao inverno rigoroso. Posteriormente germinam, emitindo o caule filiforme, que se adere à planta parasitada, que são mudas de árvores ou plantas de porte herbáceo (3). As sementes podem permanecer viáveis no solo por períodos maiores a 15 anos e germinam quando as condições voltam a ser favoráveis (5).

No sudeste brasileiro, árvores de porte médio tem sido observadas parasitadas, bem isoladamente, parecendo que a cuscuta tem contato com eficientes agentes para dispersão aérea, como pássaros, que transportam pedaços filiformes para a construção de ninhos e alimentação (3).

Plantas ornamentais como a coroa-de-cristo ( Euphorbia splendens ) também são susceptíveis à cuscuta. Várias árvores ornamentais têm sido observadas parasitadas pela cuscuta, em Viçosa-MG, dentre as quais, o ligustro ( Ligustrum sp .), hibisco ( Hibiscus sp .) e ipê-amarelo ( Tabebuia serratifolia ) (3). A cuscuta também é comum na arborização urbana de Curitiba.

A cuscuta apresenta uso medicinal (adstringente, emoliente, antiflogística, hemostática, purgativa e diurética). Acredita-se que o pó do caule seja bactericida. O povo costuma atribuir ainda outras propriedades terapêuticas, dependendo da planta hospedeira (5).

Uma curiosidade a respeito da cuscuta é a sua utilização na área de virologia vegetal para estudos que envolvem transmissão de patógeno viral (3). 

Fontes:

(1) www.hear.org/pier/cucom.htm

(2) www.floridata.com/ref/C/cusc-spp.cfm

(3) FERREIRA, F. A. Patologia Florestal: Principais doenças florestais no Brasil. Viçosa, MG: Sociedade de Investigações Florestais, 1989. p.537

(4) www.inase.org.uy/cuscuta.htm. Acesso em 09/05/03

(5) TAKEDA, I. J. M. ; FAGARO, P. V. Vegetação do Parque Estadual de Vila Velha: guia de campo . Volume 1. Curitiba: I. J. M. Takeda, 2001.

(6) www.naturlink.pt/canais/artigo.asp?iArtigo=124&iLingua=1.


 

 

 

 
 
LABORATÓRIO DE PAISAGISMO - CURSO DE ENGENHARIA FLORESTAL - DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS FLORESTAIS - UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ - RUA LOTHÁRIO MEISSNER - N 3.400 - BAIRRO JARDIM BOTÂNICO - CEP 80.210-170 - CURITIBA - PARANÁ - BRASIL