Regina Rosa Fernandes

Variações Estacionais dos Teores de Umidade e Oleoresina em Folhagem de Pinus elliottii Engelm, Pinus taeda L. e Araucaria angustifolia (Bert) O. Ktze e Sua Influência no Potencial de Inflamabilidade das Copas

Resumo:

O presente trabalho teve por objetivo estudar as variações estacionais dos teores de umidade e oleoresina na folhagem verde de Pinus elliottii var. elliottii Engelm, Pinus taeda L. e Araucaria angustifolia (Bert.) O. Ktze. E procurar determinar a(s) época(s) em que a folhagem das espécies em questão são potencialmente mais combustíveis. A parte de campo da pesquisa foi desenvolvida na estação de Pesquisas Florestais de Rio Negro da Universidade Federal do Paraná, o processamento das amostras para determinação do teor de umidade da folhagem e do solo, no Laboratório de Silvicultura do Curso de Pós-Graduação em Engenharia Florestal e a extração de cleoresina das folhas no Laboratório de Tecnologia Orgânica, todos da mesma Universidade. A oleoresina foi extraída das folhas dos pinheiros através da combinação de duas metodologias, extração com álcool etílico a frio e extração por decocção. No final da extração foram efetuados testes adicionais para a averiguação da presença de taninos, proteínas e açúcares redutores e não redutores. Os resultados mostraram que a média do teor de umidade de Pinus taeda diferenciou-se significativamente, ao nível de 95% de probabilidade, apenas da média de Araucaria angustifolia . Todas as três espécies estudadas apresentaram um alto teor de umidade no início da estação de crescimento e um decréscimo da umidade no período de alongamento dos brotos. O menor teor de umidade nas folhas foi apresentado por Pinus taeda e o maior por Araucaria angustifolia . Em valores absolutos, a variação, em porcentagem do peso seco, foi de 132,75 a 173,94% em Pinus elliottii , de 115,70 a 172,36% em Pinus taeda e de 146,08 a 199,72% em Araucaria angustifolia . Com relação ao teor de oleoresina, observou-se uma superioridade de Pinus elliottii sobre as outras duas espécies, apesar de que, estatisticamente, esta espécie apenas se diferenciou de Araucaria angustifolia durante o verão. Em valores absolutos, os teores de oleoresina, em porcentagem do peso seco, variaram de 3,68 a 19,85% em Pinus elliottii , de 2,04 a 15,03% em Pinus taeda e de 2,51 a 13,40% em Araucaria angustifolia . O teor de oleoresina alcançou seus maiores valores durante o verão (janeiro e fevereiro) e o inverno (julho). Os altos teores ocorridos para todas as espécies coincidiram com o decréscimo do teor de umidade do solo verificado durante o verão, ou com o decréscimo do teor de umidade na folhagem durante o inverno e meados de primavera. Os períodos de maior combustibilidade potencial das copas foram observados na primavera e meados do inverno, quando se verificaram baixos teores de umidade e altos teores de oleoresina. Entretanto, a copa se manteve potencialmente inflamável também durante o verão, quando o teor de oleoresina foi alto.