João Gomes Neto

Influência da Queima Controlada na Concentração de Elementos Químicos no Solo em Povoamentos de Pinus spp, na Região de Sacramento, MG

Resumo:

A queima controlada ajuda no controle do material combiustível em florestas de coníferas, reduzindo seu conteúdo e consequentemente o risco de incêndios. Porém, não se deve reduzí-la sem antes conhecê-la. Deve-se analisar vários aspectos inerentes ao ambiente, ao fogo e técnicas de queima dentre outros. A prática de queimar os resíduos é muito controvertida, principalmente levando-se em conta os seus efeitos para o ambiente. O objetivo do presente trabalho foi estudar a influência da queima na concentração de nutrientes na manta e no solo em povoamentos de Pinus caribaea Morolet var. hondurensis e Pinus oocarpa Schiedler. A pesquisa desenvolveu-se na região de Sacramento, Minas Gerais, em um latossolo vermelho-amarelo, fase argilosa. Foram selecionados 2 talhões (250 m x 600 m) para cada espécie, demarcados por um aceiro e queimados em dois períodos, às 10 e às 16 horas, segundo a técnica de queima contra o vento. As áreas experimentais foram divididas em 8 parcelas, por espécie, em um delineamento completamente ao acaso. A coleta dos dados foi feita antes, logo após, 7 meses e 14 meses após a queima. Nos pontos de amostragem, na intersecção entre linhas e filas das árvores, foram abertos perfis de solo de 0 – 50 cm. Foram coletadas amostras de serapilheira antes e após o fogo e de várias profundidades do solo, antes, após, 7 meses e 14 meses. Após a análise dos resultados verificou-se que a queima reduziu a serapilheira em 49% e 42% no Pinus caribaea e no Pinus oocarpa respectivamente. Considerando os macronutrientes N, P, K, Ca e Mg, em relação a serapilheira, observou-se perda do conteúdo total, após a queima, de N = 71,3 %; P = 72 %; K = 40,7 %; Ca = 21 % e Mg = 92,3 % para Pinus caribaea e N = 92,3 % ; P = 93 %; K = 51 %; Ca = 57,4 % e Mg = 81 % para Pinus oocarpa. Os micronutrientes Fe e B aumentaram 303 % e 139 % respectivamente para o Pinus caribaea e para o Pinus oocarpa o Fe e o B aumentaram 76 % e 65 % respectivamente, logo após a queima. Os outros elementos tiveram uma pequena variação entre seus conteúdos. Em relação ao solo, após o fogo, observou-se um aumento significativo dos teores de N e Mg e queda de Ca para o Pinus caribaea. As médias dos tratamentos no Pinus oocarpa não apresentaram diferença significativa. Aos 7 meses após o fogo, o Mg, Mn, Cu e o B variaram significativamente para o plantio de Pinus oocarpa. O P, K, Mn, Cu e Zn variaram significativamente no mesmo período para o talhão de Pinus caribaea. Aos 14 meses após a queima o K e B diminuiram e o Mn aumentou no Pinus oocarpa e o P, Mg, Mn apresentaram aumentos significativos em seus conteúdos no Pinus caribaea. Os elementos disponíveis Ca + Mg, P e K aumentaram de forma significativa após o fogo, em ambas as espécies estudadas. Para os outros períodos estudados as diferenças detectadas foram pequenas, exceto para o Ca + Mg que teve uma queda bastante significativa aos 14 meses após a queima. Para o pH houve uma ligeira elevação após o fogo, estabilizando-se até o final do experimento, em ambas as espécies estudadas.