 |
Toxicologia
É
a ciência que estuda as intoxicações, os venenos que
as produzem, seus sintomas, seus efeitos, seus antídotos e seus
métodos de análise. O termo tóxico vem do grego toxicon
que quer dizer flecha envenenada.
Histórico
- Fase do descobrimento
- Teve início com o homem primitivo em seu contato com a natureza
como meio de sobrevivência, que em seu dia a dia tomou contato
com plantas e animais, surgindo deste contato a identificação
de substâncias que eram ou não benéficas a sua
vida.
- Fase
primitiva - É
talvez a parte mais importante, pois estuda os venenos como meio de
suicídio, de homicídio e até punitivo, trazendo
importantes conclusões inclusive para a moderna toxicologia.
- Fase moderna
- Início a partir de 1800, com o surgimento de métodos
de estudos para identificação de venenos, com o que,
diminuiu sua atuação criminosa, porém a partir
deste conhecimento houve um aumento significativo de intoxicações
acidentais (ex. uso de agrotóxicos).
Divisão
Metodológica da Toxicologia (Como Ciência)
- Toxicologia
clínica - Estuda os sintomas e sinais clínicos,
visando diagnosticar envenenamentos e orientar terapia.
- Toxicologia
profilática
- Estuda a poluição da água, terra, ar e alimentos,
procurando manter e aumentar a segurança para a vida é
saúde humana.
- Toxicologia
industrial - Estuda as enfermidades industriais e a insalubridade
do ambiente de trabalho.
- Toxicologia
analítica - Visa a análise dos produtos tóxicos
objetivando determinar sua toxicidade, sua concentração
tóxica, metabolismo, etc.
- Toxicologia
forense - Estuda os aspectos médico-legais procurando esclarecer
a “causa-mortis” em intoxicações, visando o esclarecimento
a justiça da causa das intoxicações.
Fatores
que infuenciam na Toxicidade
- Fatores que dependem
do sistema biológico - Idade, peso corpóreo, temperatura,
fatores genéticos, estados nutricionais e patológicos.
- Quantidade ou
concentração do agente tóxico.
- Estado de dispersão
- Importante a forma e o tamanho das partículas.
- Afinidade pelo
tecido ou organismo humano.
- Solubilidade
nos fluídos orgânicos.
- Sensibilidade
do tecido ou organismo humano.
- Fatores da substância
em si.
Principais
Agentes Tóxicos
- Tóxicos
Gasosos
- Tóxicos
Voláteis
- Tóxicos
Orgânicos Fixos
- Tóxicos
Orgânicos Metálicos
- Tóxicos
Orgânicos Solúveis
- Outros
Causas
mais freqüentes de Intoxicações
- Falhas de técnicas,
como vazamentos dos equipamentos, preparação e aplicação
dos produtos sem a utilização de equipamento adequado
de segurança, aplicação contra o vento. Trabalhadores
que não trocam diariamente de roupa e não tomam banho
diário. Trabalhadores que tomam banho em água
quente, que dilata os poros facilitando a absorção do
produto. Trabalhadores que nos horários de descanso se alimentam
sem lavar as mãos, armazenamento inadequado dos produtos.
- Outras causas,
aplicação de produtos nas horas de maior temperatura,
onde o calor intenso dilata os poros e facilita a absorção
da pele, trabalhadores que voltam a trabalhar após uma intoxicação,
ou em períodos de repouso de ouras doenças, trabalhadores
com baixa resistência física são mais suscetíveis,
trabalhadores que fazem aplicações sozinhos e em caso
de intoxicação não recebem ajuda imediata, crianças
e animais que tem contato com produtos químicos. As esposas
dos operários que se intoxicam ao lavar as roupas utilizadas
na aplicação e muitas outras formas.
Precauções
a serem adotadas no Manuseio de Inseticidas
- Seguir sempre
a orientação de um técnico.
- Ler o rótulo
com atenção, seguindo rigorosamente as instruções
do fabricante.
- Utilizar produtos
químicos somente quando necessário.
- Não aplicar
produtos químicos sozinho, pois ema caos de intoxicação
o operador pode necessitar de ajuda.
- Utilizar equipamentos
para aplicação em boas condições de uso
sem vazamentos e bem calibrados.
- Abrir as embalagens
com cuidado, para evitar respingos, derramamento do produto, ou levantamento
de pó.
- Ao preparar
e aplicar produtos químicos utilizar macacão ou camisa
de manga comprida, chapéu de abas largas e botas impermeáveis,
utilizando também luvas, óculos, e mascaras adequadas,
de acordo com a recomendação do rótulo.
- Não efetuar
misturas de produtos sem orientação técnica.
- Não retirar
os defensivos de suas embalagens originais.
- Guardar os defensivos
em depósito fechado, isolado do acesso de crianças,
animais domésticos, alimentos, rações e medicamentos.
- Não permitir
a presença de crianças, animais ou pessoas estranhas
ao trabalho, durante a aplicação de produtos químicos.
- Não aplicar
defensivos quando houver ventos fortes, contra o vento, dando preferência
as horas de temperatura mais amena.
- Nas aplicações
aéreas use somente produtos e formulações permitidas
para esta finalidade, tomando o máximo cuidado para evitar
a contaminação de rios, lagos, fontes, casas, depósitos
ou propriedades vizinhas.
- Observar rigorosamente
o intervalo recomendado entre a última aplicação
e a colheita, conforme indicação no rótulo.
- Nunca utilize
as embalagens vazias dos produtos para outro fim.
- Ao terminar
o trabalho, tome banho frio com bastante água e sabão.
A roupa de serviço deve ser trocada e lavada diariamente.
- Não fume,
não beba e nem se alimente durante a aplicação
de qualquer produto químico.
- Não lance
restos de produtos, nem limpe equipamentos ou embalagens de produtos
em cursos d’água ou junto a poços de água potável.
- Evite a entrada
de animais ou pessoas desprotegidas na área tratada durante
7 dais após a aplicação.
- Nunca transporte
alimentos, rações, animais ou pessoas junto ou sobre
produtos químicos.
- No caso de intoxicação
procure imediatamente um médico, levando a ele o rótulo
do produto.
- Durante a época
de aplicação de produtos químicos, providencie
exames médicos periódicos em todos os que estiverem
envolvidos nessa operação
- Normas para
armazenamento de produtos químicos
- Os depósitos
para o armazenamento de produtos químicos devem reunir as seguintes
condições:
-
Estar devidamente cobertos de maneira a protegerem os produtos contra
as intempéries.
-
Ter boa ventilação.
-
Estar localizados o mais distante possível de habitações
ou locais onde se conservem ou se consumam alimentos, bebidas, drogas
ou outros materiais, que possam entrar em contato com pessoas ou
animais.
-
Propiciar a separação de diferentes produtos.
-
As embalagens dentro do depósito não devem estar em
contato direto com o piso,evitando assim a ação da
umidade.
-
As embalagens para líquidos devem ser armazenadas com o
fecho voltado para cima.
-
O empilhamento das embalagens ou recipientes não deve exceder
as recomendações técnicas do fabricante.
Providências
no caso de Vazamentos
- Suspenda todo
tipo de manobras, feche o veículo e isole a área contaminada,
vigie para que ninguém entre na área contaminada.
- Espere instruções
e chegada de pessoal especializado para a descontaminação.
- Em depósitos
os funcionários encarregados da manipulação dos
produtos devem estar equipados com equipamentos de segurança
correspondentes.
- Em todos os
casos em que as embalagens não estejam visíveis devem
ser colocados, em lugares visíveis, etiquetas cujo desenho
e texto se ajustem à categoria toxicológica do defensivo.
- Em casos de
emergência estacionar o veículo em local onde o vazamento
não possa atingir riachos, rios, lagoas ou fontes de água.
Em seguida munido de equipamento de segurança isolar o vazamento
com terra ou serragem evitando que o produto se espalhe e afastar
os curiosos.
- Notificar o
fabricante ou representante mais próximo e pedir intrusões.
- Em caso de incêndio
sinalizar o acidente e afastar curiosos, ficar longe da carga incendiada
e fora do alcance de fumaça, comunicar o corpo de bombeiros
e o fabricante.
Equipamentos
de Proteção
- Máscara,
luvas, botas, galochas, chapéus, camisas de mangas compridas,
calça de tecido pouco absorvente e avental impermeável
- Após
a utilização, todo e qualquer equipamento de proteção
deverá ser recolhido, descontaminado, cuidadosamente limpo
e guardado.
- Se alguma pessoa
apresentar sintomas de intoxicação retirá-la
imediatamente da área contaminada e seguir as instruções
de primeiros socorros. Em seguida, encaminhar a pessoa ao serviço
médico mais próximo, juntamente com o rótulo
completo do produto.
Primeiros
Socorros
- Retirar a vítima
de intoxicação do local de trabalho, banhar a vítima
com água fria e sabão, trocar sua roupa, procurar
imediatamente assistência médica, juntamente com o rótulo
completo do produto.
- Em caso de ingestão
acidental só provoque vômito com recomendação
e instruções constantes no rótulo do produto.
Caso seja recomendado observar se a pessoa está consciente,
lúcida, com capacidade para deglutir e se realmente está
intoxicada por ingestão.
- Em casos de
contato com os olhos, caso isto aconteça, lave-os imediatamente
com água corrente durante 15 minutos e se houver irritação,
procure um médico.
- Para casos de
inalação do produto, leve a pessoa para um local arejado,
se houver sinais de intoxicação procure um médico.
- Em contatos
com apele, lave as partes atingidas imediatamente com água
e sabão em abundância e se houver sinais de irritação
procure o médico.
- Não fazer
fricções ou massagens, a excitação pode
vir a agravar o quadro clínico facilitando a absorção
do produto pela pele.
- Todo sistema
sensorial do intoxicado está ativo, evitar despertar o paciente
com tapinhas na face ou com chamados. Mantê-lo em local escuro,
evitar ruídos, evitar movimentações desnecessárias
do intoxicado.
- Afastar curiosos.
- Não dar
leite, pois em muitos casos ele agrava o quadro de intoxicação.
Os organoclorados absorvem-se com facilidade em presença de
leite.
- Para inseticidas
fosforados e carbamatos, quando houver demora de atendimento médico,
aplicar sulfato de atropina intramuscular, subcutânea ou endovenosa.
Tratamento
e Sintomatologia de alguns Ingredientes Ativos
Inseticidas
clorados
São substâncias que caracterizam-se pela ação
crônica nos organismos, longa persistência e efeito residual
no ambiente, com grande solubilidade em lipídeos onde se armazenam
nos organismos, causam sérias lesões hepáticas e
renais, atuando principalmente sobre o sistema nervoso central e no de
defesa do organismo.
Os
sintomas gerais apresentados são: dilatação da pupila
e fotofobia; pálpebras trêmulas; dores de cabeça,
cefaléia, alucinações; intumescimento da língua;
agressividade; convulsões e coma; se forem absorvidos por inalação
apresentam tosse e edema pulmonar; por ingestão cólicas
e diarréia; por via dérmica dermatites.
Tratamento
- se a pessoa não respira ou respira com dificuldade, fazer respiração
artificial utilizando um pano fino; induzir ao vômito; se o veneno
for ingerido proceder uma lavagem gástrica; se a pele está
contaminada, lavar com água e sabão; se há convulsão,
administrar diazepínicos; se está inconsciente, transportá-la
ao centro médico mais próximo, juntamente com a embalagem
ou rótulo do produto.
Inseticidas
fosforados
São
ésteres do ácido fosfórico e seus derivados, constituem
substâncias químicas que atuam bloqueando ou inibindo a colinesterase.
Os efeitos são de maneira geral os seguintes: espasmos intestinais;
estimulação das glândulas salivares e lacrimais e
convulsões.
Os
sintomas gerais apresentados são: redução do diâmetro
das pupilas; lacrimejamento e rinite aguada; sudação intensa;
vômito e tonturas; dores musculares e caibras; pressão arterial
instável; confusão mental, cólicas e diarréias,
o aparecimento dos sintomas de intoxicação ocorre, em média,
nas primeiras doze horas; a morte ocorre geralmente nas primeiras 48 horas;
a recuperação normalmente é completa se não
ocorre falta de oxigenação no cérebro.
Tratamento
- descontaminação do paciente; injetar inicialmente de 4
a 6 mg de sulfato de atropina; nunca aplicar oxinas em caso de intoxicação
com carbamatos; são contra indicados tratamentos com morfina, teofilina,
aminofilina, succinilcolina, fenotiazina, reserpina e tranquilizantes;
não utilizar atropina como preventivo; dar especial atenção
ao pulmão, pelo risco de secreções pulmonares; se
a intoxicação for muito forte e passar de 5 dias é
necessário traqueotomia; para lavagem estomacal, é recomendada
uma solução a 5% de carbonato de sódio mais 15 a
30 g de sulfato de sódio em 0,51 de água. Entubar o paciente
antes da lavagem.
Piretro
e Piretróides
O
piretro é um produto de origem vegetal, extraído da flor
do Chrysanthemum cinerariefolium, tem basicamente dois grupos de princípios
ativos as piretrinas e cinerinas. Estas substâncias são pouco
tóxicas por via inalatória. Por ingestão, oferecem
algum risco, porém são rapidamente excretadas pela urina.
Podem exercer irritações de pele dependendo da sensibilidade
de cada pessoa. Pessoas mais sensíveis podem apresentar dores abdominais,
naúseas, vômitos e algumas vezes diarréias.
Em
casos de ingestão principalmente por crianças ocorre cefaléia,
incoordenação motora, excitação, convulsões
e morte por paralisia respiratória. os principais sintomas destes
produtos são: dermatites e conjuntivites; parestesias periorbitais
e labial; espirros, desânimo, tosse, febre, secreção
nasal cerosa e obstrução nasal; eritema leve; reações
de hipersensibilidade; broncoespasmos; excitação dos sistema
nervoso; convulsão.
O
tratamento prevê: descontaminação do paciente; tratamento
sintomático; anti-histamínicos para processos alérgicos;
vitaminas A, B e C; compostos diazepínicos para crises neurotóxicas.
Parâmetros
Toxicológicos
- Toxicidade
aguda - É aquela produzida por uma única dose, seja
por via oral, dermal ou pela inalação dos vapores.
- Toxicidade
crônica - É aquela que resulta da exposição
contínua a um defensivo, sendo que este não pode causar
não causa toxicidade aguda por apresentar-se em baixas concentrações.
A toxicidade crônica é mais importante que a toxicidade
aguda, pois normalmente ocorre pela contaminação de
alimentos ou lentamente no seu ambiente de trabalho.
- Veneno
- É todo e qualquer produto natural ou sintético, biológicamente
ativo, que introduzido no organismo e absorvido, provoca distúrbios
da saúde, inclusive morte, ou, se aplicado sobre tecido vivo
e capaz de destruído.
- Toxicidade
- É a capacidade de uma substância química produzir
lesões, sejam elas físicas, químicas, genéticas
ou neuropsíquicas, com repercussões comportamentais.
- Intoxicação
- É um estado deletério manifestado pela introdução
no organismo de produto potencialmente danoso.
- DL50
(Dose Letal) - É a dose letal média de um
produto puro em mg/Kg do peso do corpo. Esta terminologia pode ser
empregada para intoxicação oral, dermal ou inalatória.
- Dosagem Diária
Aceitável (DDA) - Quantidade máxima de composto
que, ingerida diariamente, durante toda a vida, parece não
oferecer risco apreciável à saúde.
- Carência
- Compreende o período respeitado entre a aplicação
do agrotóxico e a colheita dos produtos.
- Efeito Residual
- Tempo de permanência do produto nos produtos, no solo, ar
ou água podendo trazer implicações de ordem toxicológica.
- Antídoto
- Toda substância que impede ou inibe a ação de
um tóxico é chamada antídoto.
- Toxicidade
Aguda - O processo tóxico em que os sintomas aparecem nas
primeiras 24 horas após a exposição às
substâncias.
- Toxicidade
Crônica - Processo tóxico em que os sintomas aparecem
após as primeiras 24 horas, ou mesmo de semanas ou meses após
a exposição as substâncias.
- Toxicidade
Recôndita - É o processo tóxico em que ocorrem
lesões, sem manifestações clínicas.
Bibliografia
GUERRA,
M. S.; SAMPAIO, D. P. DE A. Receituário Agronômico. Editora
Globo. Rio de Janeiro, 1988. 436 p.
LIMA, A. F; RACCA FILHO, F. Dicionário de Pragas e Praguicidas;
aspectos legais, toxicológicos e recomendações
técnicas. Edição dos Autores. Rio de Janeiro, 1987.
122 p.
MARICONI, F. A. M. Inseticidas e seu emprego no combate às pragas;
como uma introdução sobre o estudo dos insetos. Tomo I,
3a edição. Editora Nobel. São Paulo, 1977. 305
p.
VERNALHA, M. M.; DA SILVA, R. P; GABARDO, J. C.; RODRIGUES DA COSTA,
F. A. Toxicologia dos inseticidas. Volume 7. Universidade Federal do
Paraná, Setor de Ciências Biológicas. Curitiba -
PR, 1977. 55 p.
|
|