Índices de Risco de Incêndios

Índices de perigo de incêndio são números que refletem, antecipadamente a probabilidade de ocorrer um incêndio, assim como a facilidade do mesmo se propagar, de acordo com as condições atmosférica do dia ou da frequência de dias.
A importância destes índices está ligada a tendência moderna de prevenção e pré-supressão de incêndios. Pois é mais vantajoso evitar um incêndio ou mesmo atacá-lo imediatamente após o início do que combatê-lo após o estabelecido e propagado.
A estrutura dos índices de perígo de incêndio e baseada fundamentalmente na relação entre os incêndios florestaise e os elementos meterológicos (úmidade atmosférica, ventos, temperatura e precipitação).
O conhecimentos dos índices de perigo de incêndios é de fundamental importância dentrode um plano de prevenção e combate a incêndios florestais, por permitir a previsão das condições de perigo, possibilitando a adoção de medidas preventivas em bases mais eficiêntes e econômicas.
Índices de perigos de incêndios tem sido elaborados em diversos países. No Brasil os mais utilizados são:

Índice de Angstron

Desenvolvido na Suécia, este índice baseia-se fundamentalmente na temperatura e umidade relativa do ar, ambos medidos diariamente às 13 horas. Não é um índice cumulativo. A equação do índice é a seguinte:

B = 0,05H – 0,1(T – 27)

sendo:

B = índice de Angstron
H = umidade relativa do ar em %
T = temperatura do ar em °C

Sempre que o valor de “B” for menor do que 2,5 haverá risco de incêndio, isto é, as condições atmosféricas do dia estarão favoráveis à ocorrência de incêndios.

Índice Logarítmico do Telicyn

Desenvolvido na URSS, este índice tem como variáveis as temperaturas do ar e do ponto de orvalho, ambas medidas às 13 horas. O índice é acumulativo, isto é seu valor aumenta gradativamente, como realmente acontece com as condições de risco de incêndio, até que a ocorrência de uma chuva o reduza a zero, recomeçando novo ciclo de cálculos. Sua equação é a seguinte:

sendo:

I = índice de Telicyn
t = temperatura do ar em oC
r = temperatura do ponto de orvalho em °C
log = logaritmo na base 10

Restrição do índice: sempre que ocorrer uma precipitação igual ou superior a 2,5 mm, abandonar a somatória e recomeçar o cálculo no dia seguinte, ou quando a chuva cessar. No(s) dia(s) de chuva o índice é igual a zero.

Como o índice é acumulativo, a interpretação do grau de perigo é feita através de uma escala apresentado na tabela abaixo.

Índice de Nesterov

Desenvolvido na URSS e aperfeiçoado na Polônia, este índice tem como variáveis a temperatura e o déficit de saturação do ar, ambos medidos diariamente às 13 horas. O índice de Nesterov, que também é acumulativo, tem a seguinte equação básica:

sendo:

G = Índice de Nesterov
d = déficit de saturação do ar em milibares
t = temperatura do ar em oC

O déficit de saturação do ar, por sua vez, é igual a diferença entre a pressão máxima de vapor d’água e a pressão real de vapor d’água, podendo ser calculado através da seguinte expressão:

sendo:

d = déficit de saturação do ar em milibares
E = pressão máxima de vapor d'água em milibares
H = umidade relativa do ar em %

No índice de Nesterov, a continuidade da somatória é limitada pela ocorrência de uma série de restrições na tabela abaixo:

A interpretação do grau de risco estimado pelo índice é feito através de uma escala de perigo apresentado abaixo:

Fórmula de Monte Alegre

Desenvolvido através de dados da região central do Estado do Paraná, este índice, também acumulativo, tem como única variável a umidade relativa do ar, medida às 13 horas. A sua equação básica é a seguinte:

sendo:

FMA = Fórmula de Monte Alegre
H = umidade relativa do ar (%), medida às 13 horas
n = número de dias sem chuva

Sendo acumulativo, o índice está sujeito às restrições de precipitação, como mostra a tabela a seguir:

.

A interpretação do grau de perigo estimado pela FMA e também feita através de uma escala .

Utilidades dos índices de Risco de incêndios

Dentre as diversas utilidades e aplicações dos índices de perigo de incêndios, pode-se destacar:

a) Conhecimento do grau de perigo

Os índices permitem, diariametne, um conhecimento do grau de perigo a que está sujeita a área florestal, ao estimar a probabilidade de ocorrência de incêndios, desde que exista uma fagulha para iniciar a combustão.

b) Planejamento do controle de incêndios

A medida que os valores dos índices aumentam, devem ser intensificadas as medidas preventivas de pré-supressão ao fogo. Porém quando os índices indicam que não exsite perigo ou que ele é pequno, as medidas de prevenção e prontidão podem ser atenuadas, reduzindo os custos das operações de controle.

c) Permissão para queimas controladas

De acordo com o código florestal, as queimas controladas só podem ser feitas mediante autorização do poder público. O índice de perigo de incêndio deve ser um dos fatores fundametnais para a concessão de permissão para queima. Quando o perigo é alto ou muito alto, não devem ser permitidas as queimas, pois o fogo pode escapar e transformar as queimas controladas em incêndios incontroláveis.

d) Estabelecimento de zonas de perigo

O acompanhamento dos índices, durante certo tempo, em grandes regiões, permite estabelecer as zonas potencialmetne mais perigosas ou propícias a ocorrência de incêndios. Considerando que o limite da validade e segurança dos índices e de 40 Km de raio em torno da estação meteorológica que fornece os dados. Portanto, em um Estado como o Paraná deves-e esperar diferenças significativas, entre o grau de perigo das suas diversas regiões.

e) Previsão do comportamento do fogo

Os índices que estimam também a propagação e o potencial de danos, fornecem uma boa idéia do comportamento do fogo, caso ocorra um incêndio. Mesmo os índices de ocorrência, emborca mais limitados, podem também dar uma indicação do que se deve esperar em termos de comportametno do fogo, que será certamente distinto se o incêndio ocorrer em um dia de perigo médio ou muito alto, por exemplo.

f) Advertência pública do grau de perigo

A divulgação dos valores dos índices, através dos meios de comunicação disponíveis, é importante para que as pessoas que trabalham na floresta ou a usam como recreação, tenham conhecimento do grau de perigo de incêndio. Este conhecimento, acompanhado de outros esclarecimentos, ajuda a formar na população uma maior conscientização para os problemas que os incêndios podem causar às florestas.

Bibliografia Consultada

SOARES, R. V. Incêndios Florestais - Controle e Uso do Fogo. Curitiba : FUPEF, 213 p, 1985.

SOARES, R. V. Prevenção e Controle de Incêndios Florestais. Curitiba : FUPEF, 72 p, 1979.

BATISTA, A. C. Incêndios Florestais. Recife : Universidade Federal Rural de Pernambuco - Curso de Eng. Florestal. 115 p, 1990.

BATISTA, A. C. Avaliação da Queima Controlada em Povoamentos de Pinus taeda L. no Norte do Paraná. Curitiba. Tese (Doutorado em Eng. Florestal), Setor de Ciências Agrárias, UFPR. 108 p, 1995.