| Prevenção
de Incêndios Florestais
1.
Considerações Gerais
Os incêndios ocorrem quando os combustíveis inflamáveis
são expostos à materiais acesos. A ocorrência de fogo,
pode ser reduzida pela remoção da fonte de fogo ou pela
remoção do material que pode queimar. Quanto mais valiosa
uma área ou produto florestal, maior é a necessidade de
eliminar o risco de incêndios.
O efetivo controle das fontes de risco, requer o conhecimento de como
essas operam localmente, quando e onde os incêndios ocorrem mais
comumente. Estas informações estão vinculadas a um
registro individual da ocorrência de incêndios este registro
é a principal fonte de toda a estatística a respeito dos
incêndios. Os dados mais frequêntes para programas de prevenção
são: As causas dos incêndios que ocorrem; a época
e o local de ocorrência; e a extensão da área queimada.
1.1 Causas
Conforme recomendação da FAO as causas de incêndios
devem ser agrupadas em 8 categorias ou grupos:

Não deve ser utilizada a classe desconhecida, pois induz a inclusão
de outras classes de incêndios nesta categoria.
De uma região para outra ocorrem inúmeras alterações,
havendo a necessidade de observar as características de cada região
para um planejamento. No Brasil, não existem estatística
de longo prazo, apenas resultados recentes como os obtidos por SOARES
em l983, onde os incendiários, queimas para limpeza e fogos para
recreação são os casos com maior porcentagem de ocorrência,
respectivamente 33,88% , 32.24% e l2.57%. Porém, existem casos
rescritos como os da reflorestadora Sacramento-Resa de Minas Gerais, onde
os raios em um período de 6 anos representaram 14% dos incêndios
ocorridos.
1.2
Locais de Ocorrência
A definição das áreas de maior ocorrência de
incêndios florestais, dependem prioritariamente de informações
dos locais de onde ocorre os incêndios, estes dados podem ser estaduais
ou municipais. Recentemente a EMBRAPA, fornece pela INTERNET informações
sobre incêndios em estados ou regiões.
As empresas florestais que possuem estatísticas de ocorrência
de incêndios dentro de suas áreas, podem definir claramente
onde ocorrem a maior incidência de incêndios e desta forma
traçar planos de prevenção mais adequados.
1.3
Área de Ocorrência
A distribuição dos incêndios através dos meses
do ano é uma informação importante no planejamento
da prevenção, pois indica as épocas de maior ocorrência
de fogo, que varia significativamente de uma região para outra.
Dependenddo principalmente do clima, caracterizado pela frequência
e distribuição das chuvas, e seu efeito sobre a vegetação.
Por exemplo na região de Telêmaco Borba onde está
localizada a Klabin Florestal 80% dos incêndios ocorrem nos meses
de julho a dezembro.
1.4 Extensão da Área Queimada e Tipo de Vegetação
Atingida
A extensão da área atingida por um incêndio é
útil para uma avaliação da eficiência do combate
utilizado. O tipo de vegetação, possibilita identificar
as espécies florestais ou tipos de vegetação mais
sucetíveis à ação do foco em determinada região.
2. Princípios e Métodos Usados na Prevenção
de Incêndios
A prevenção é considerada a função
mais importante do combate de incêndios, e para ser efetiva precisa
ser praticada constantemente. Seu objetivo é impedir a ocorrência
de incêndios que tem causa de natureza humana, e impedir a propagação
de incêndios que não podem ser evitados. Os instrumentos
mais utilizados na prevenção são: Educação
da população; aplicação da legislação;
eliminação ou redução das fontes de propagação
do fogo.
2.1
Educação da população
Deve ser aplicada a todos os grupos de idade da população,
tanto em zonas urbanas como nas rurais. Sendo que para esse problema particular
é necessário preparar o melhor método ou combinação
de métodos para a prevenção de incêndios. Para
iniciar um programa para educação da população,
deve ser conhecida de forma detalhada as causas dos incêndios.
Os instrumentos para organizar uma campanha de educação
pública são: impresa; rádio; anúncios; filmes;
cartilhas; contatos pessoais.
Um detalhe importante é a concientização das novas
gerações, que futuramente irão influir nos fatores
que originam incêndios. Esta concientização de ser
feita através de campanhas educacionais, devendo variar deacordo
com a região e os problemas que os incêndios representam
em cada local.
Outra oportunidade de concientização são as festas
comemorativas (semana da árvore, semana do meio ambiente, etc.),
exposições agropecuárias e outras para implementar
as campanhas educativas de prevenção de incêndios.
Além disso, podem ser utilizadas placas de alerta com anúncios
como: “O fogo apaga a vida”, “Conserve a natureza”e
outros, ao longo de estradas que cortam áreas florestais, representando
uma concientização permanente sobre os riscos dos incêndios
florestais.
Outro método de prevenção é o contato pessoal,
que pode ser feito com reuniões ou em contato com os proprietários,
vizinhos e confrontantes em áreas florestais, alertando a todos
sobre os prejuízos causados pelo fogo, sobre o risco de uma queima
indesejada, e sobre as formas utilizadas na prevenção de
incêndios.
2.2
Aplicação da Legislação
Leis e regulamentos para as atividades relacionadas com uso do fogo na
floresta, são importantes medidas de prevenção, os
regulamentos diferem basicamente das leis por serem mais localizados,
e tem como objetivo principal reduzir o risco de incêndios em determinadas
áreas.
Na regulamentação por exemplo as áreas florestais
podem ser fechadas a visitação em épocas críticas,
a proibição ou restrição de fumar em épocas
de grande perigo, a proibição da pesca durante a estação
de incêndios e outras medidas de caráter local ou regional
que contribuam para a redução do risco de incêndios.
O código florestal brasileiro tem 4 artigos que tratam específicamente
do fogo nas florestas são eles:
Artigo
11 - O emprego de produtos florestais ou Hulha como combustível
obriga o uso de dispositivo que impeça a difusão de fagulhas
suscetíveis de provocar incêndios nas florestas e demais
formas de vegetação.
Artigo
25 - Quando os inêndios rurais não podem ser extintos com
os recursos ordinários compete não só ao funcionário
florestal com a qualquer autra autoridade pública, requisitar os
meios materiais e convocar os homens em condições de prestar
auxílio.
Artigo
26 - Contituem as contravenções penais, puníveis
com três meses a um ano de prisão simples ou multa de um
a cem vezes o salário mínimo mensal, ou ambas as penas cumulativamente:
e) fazer fogo em florestas e demais formas de vegetação,
sem tomar as precauções adequadas.
f) Fabricar, vender, transportar ou soltar balões que possam provocar
incêndios nas florestas e demais formas de vegetação.
l) Empregar, como combustíveis, produtos florestais ou hulha sem
uso de dispositivos que impeçam a difusão de fagulhas, suscetíveis
de provocar incêndios nas florestas.
Artigo
27 - É proibido o uso de fogo nas florestas e demais formas de
vegetação.
Parágrafo
único - Se peculiaridades locais ou regionais justificarem o emprego
do fogo em práticas agropastorais ou florestais. A permissão
será estabelecida em ato do poder público circunscrevendo
as áreas e estabelecendo normas de precaução.
2.3
Eliminação ou Redução das Fontes de Propagação
As técnicas preventivas empregadas para evitar ou evitar a propagação
de incêndios baseiam-se principalmente no controle da quantidade,
arranjo continuidade e inflamabilidade do material combustível.
As técnicas mais preconizadas são:
a)
Construção e Manutenção de Aceiros
Podem ser naturais como estradas ou cursos d`água, ou especialmente
construidas para impedir a propagação dos incêndios,
e para fornecer uma linha de controle estabelecida no caso de ocorrer
um incêndio.
Um aceiro é uma faixa livre de vegetação, onde o
solo mineral é exposto. A largura dessa faixa depende do tipo de
material combustível, da localização em relação
à configuração do terreno e das condições
metereológicas esperadas na época de ocorrência de
incêndios. Porém alguns autores como SOARES recomendam que
esta faixa não deve ser inferior a 5 metros, podendo chegar a 50
m de largura em locais muito perigosos. Em áreas florestais, existem
aceiros principais mais largos, e secundários, mais estreitos.
De maneira geral os aceiros não são suficientes para deter
incêndios, porém são extremamente úteis como
meio de acesso e pontos de apoio para o combater os focos de incêndios.
Deve ser lembrados que os aceiros só são eficientes quando
existe uma manutenção, mantendo-os limpos e trafegáveis
principalmente durante a área de maior perigo de incêndios.
b) Redução do Material Combustivel
A eliminação ou a redução desse material,
é a forma mais eficiênte para se evitar a propagação
dos incêndios, existem diversas maneiras de reduzir a quantidade
do material combustível, tais como: meios químicos, biológicos
e mecânicos, além disso também ; é utilizada
a queima controlada, que embora perigosa é de baixo custo, principalmente
para reduzir o material combustível no interior dos planaltos florestais.
A queima da vegetação seca às margens de estradas
de rodagem ou de ferro, é também um meio eficiente de reduzir
o material combustível.
c) Cortinas de segurança
A implantação de vegetação com folhagem menos
inflamável, é uma prática eficiênte para reduzir
a propagação do fogo, pois dificulta o asceso do fogo às
copas, facilitando o combate.
d) Locais de captação D’água
O reflorestamento de pequenos cursos d`água formando pequenos açudes,
é de fundamental importância para obtenção
de água no caso de combate a incêndios, recomenda-se a implantação
de tomada d`água a cada 5 km para assegurar uma eficiência
razoável dos caminhões bombeiros no controle de incêndios.
Além disso, esses locais de captação podem ser utilizados
em outras atividades como: melhorar o microclima, recreação
e psicultura, auxilio ao plantio e a aplicação de defensivos,
entre outros.
e) Planos de Prevenção
A fim de organizar os trabalhos de prevenção são
elaborados os planos de prevenção. Nestes planos são
detalhados de formas simples e objetiva, as atividades que serão
desenvolvidas numa determinada área para prevenir incêndios
florestais.
O Plano de prevenção, engloba as seguintes etapas:
1
- Obtenção de informações sobre as ocorrências
de fogo, e aspectos legais da área como: locais de maior ocorrência,
período de maior ocorrência de incêndios durante o
ano, tipo de cobertura vegetal vegetal da área, etc.
2 - Determinar as causas mais frequêntes dos incêndios e concetrar
nestes esforços de prevenção. As causas variam deacordo
com a região, sendo agrupados em 8 grupos, raios, incendiários,
queimas para limpeza, fogos de recreação, operações
florestais, fumantes, estradas de ferro e diversos.
3 - Decidir quais as técnicas e medidas preventivas serão
adotadas, quem irá executá-las e quando serão executadas.
No plano deverá ficar estabelecido, qual será a melhor forma,
por exemplo de adequar a população de uma determinada região.
Assim como a pessoa e a equipe responsável pela atividade prevista,
com um cronograma indicando o início e o término de cada
atividade planejada.
4 - Obter informações sobre todas as operações
desencadeadas pelo plano de prevenção, a fim de auxiliá-lo,
corrigí-lo e e dar novas condições quando for necessário.
3. Bibliografia Consultada
SOARES, R. V. Incêndios Florestais - Controle e Uso do Fogo. Curitiba
: FUPEF, 213 p, 1985.
SOARES,
R. V. Prevenção e Controle de Incêndios Florestais.
Curitiba : FUPEF, 72 p, 1979.
BATISTA,
A. C. Incêndios Florestais. Recife : Universidade Federal Rural
de Pernambuco - Curso de Eng. Florestal. 115 p, 1990.
BATISTA,
A. C. Avaliação da Queima Controlada em Povoamentos de Pinus
taeda L. no Norte do Paraná. Curitiba. Tese (Doutorado em Eng.
Florestal), Setor de Ciências Agrárias, UFPR. 108 p, 1995.
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