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Erva de Passarinho Matéria extraída do Jornal O ESTADO DO PARANÁ, de 6 de agosto de 2000
Pequenas plantas nas árvores são na realidade uma grave ameaça. Cintia Vegas, especial para O Estado. Quem passa pelas ruas de Curitiba e observa os matinhos verdes que proliferam sobre os troncos e galhos de árvores não imagina que estas aparentemente inofensivas plantinhas, chamadas de "erva-de-passarinho", sejam verdadeiras pragas que sugam a seiva e são capazes de destruir completamente as árvores. Há mais de três anos, o tenente-coronel da reserva da Força Aérea, Diógenes Silmar Gusso, vem lutando contra esse inimigo natural que infesta as árvores da cidade. Ele conta que, após observar o descuido para com as árvores urbanas, principalmente as localizadas no Passeio Público, resolveu procurar autoridades públicas para conscientizar a população sobre a gravidade do problema. Em março de 1997, Diógenes procurou pelo diretor do Passeio Público, Luiz Roberto Francisco, que teria afirmado não haver verba para combater a praga. Diante da resposta, Diógenes explicou como era simples eliminar e reconhecer a erva e se propôs a ensinar os funcionários do Passeio a executar o serviço. "Até hoje não obtive resposta", afirma o tenente-coronel. No dia 11 do mesmo mês, Diógenes enviou uma carta ao prefeito Cássio Taniguchi, na qual explicava a situação e pedia providências. Apenas em junho de 1998, após muita insistência, a assessoria da Prefeitura encaminhou-o para conversar com o secretário do Meio Ambiente, Sérgio Tocchio, que prometeu tomar providências. " Algum tempo depois, fiquei sabendo que estavam podando árvores no bairro Bacacheri, mas os trabalhadores sequer sabiam reconhecer a erva". Em julho de 1999, ligou mais uma vez para a Prefeitura, tentando conversar com o prefeito e foi encaminhado ao diretor do Departamento de Produção Vegetal - Horto Municipal, Adélcio Marques dos Reis. "Conversamos por cerca de duas horas e mais uma vez me prontifiquei a trabalhar como voluntário e ensinar os funcionários a eliminar a erva. A proposta foi aceita, mas até hoje não tive retorno", diz. "Até agora, a única coisa que consegui foi constatar como as autoridades públicas são alheias e indiferentes ás queixas e solicitações da população", lamenta. Contaminação é rápida e freqüente O diretor do Passeio Público, Luiz Roberto Frañcisco, disse não lembrar da Visita de Diógenes e afirmou que já foram tomadas providencias para combater .a praga e outros males que atingem as plantas do local. Segundo ele, em 1997, a Escola de Florestas da Universidade Federal do Paraná fez um mapeamento e diagnosticou todos os problemas das árvores, iniciando um trabalho de poda e combate de predadores . que terminou em meados de 1999. "Muitas árvores apresentaram problemas, algumas estavam velhas e impunham riscos às pessoas e ao patrimônio do lugar e já foram totalmente podadas e substituídas. Outras estavam comprometidas por fungos e cupins", conta. "É um absurdo dizer que nada está sendo feito. A maioria das árvores daqui tem mais de cinqüenta anos e se ainda não pudemos solucionar o problema de todas é porque isso leva tempo e gera custos", completa. Na época, professores e técnicos da UFPR contabilizaram duas mil árvores no Passeio Público, das quais pelo menos 200 estavam em condições precárias. "O Passeio Público passou por total revitalização. Basta passear pelo local para perceber que as árvores estão mais saudáveis, os animais estão sendo bem tratados, a iluminaçãoo é mais intensa e a segurança é maior", declara Luiz Roberto Francisco. Segundo o gerente de arborização pública da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), Roberto Larine, que também participou do mapeamento realizado pela Escola de Florestas da UFPR, dentro de alguns dias, técnicos do meio ambiente devem fazer uma nova vistoria e avaliação das condições de saúde das árvores do Passeio. "A 'erva-de-passarinho' é uma praga difícil de ser combatida, a infestação é grande e a contaminação é bastante rápida e freqüente", explica. (CV) Parasita difícil de ser combatido Planta daninha do gênero Phoradendron, pertencente á família Rubiacea, a erva de passarinho é um vegetal parasita que possui inúmeras espécies. Ela é transmitida de uma árvore a outra através do excremento dos passarinhos, que se alimentam da semente da planta e fabricam suco gástrico que favorece a germinação. De difícil combate, a erva emite raízes especiais, denominadas haustórios, que penetram no caule e nos ramos da planta hospedeira, sugando-Ihe a seiva e causando sua degeneração. Os biólogos não sabem dizer exatamente quanto tempo uma árvore contaminada pela erva de passarinho demora para morrer. O tenente Diógenes Gusso, que possui formação em Agronomia, acredita que uma árvore jovem sobreviva até dez anos, mas que uma árvore velha possa morrer em menos de dois. De acordo com a Fundação de Pesquisas Florestais do Paraná (Fupef), o tempo de vida da árvore, após a contaminação, depende de sua espécie, da qualidade do solo e de seu nível de estresse, que está ligado a danos na calçada próxima ao local onde esteja fixada e ao nível de poluição do ar no lugar onde vive. O combate é feito única e exclusivamente através da poda, que deve ser feita preferencialmente durante o inverno, pois as folhas das árvores secam e a praga fica mais visível. A erva de folha graúda é mais visível e fácil de ser combatida, dificilmente volta a se manifestar sozinha na árvore após esta ser podada. Já a erva de folha miúda volta a se desenvolver caso seja deixada uma única folhinha. Muitas vezes, seu hospedeiro precisa, além da poda, enfrentar um a raspagem. Em Curitiba, o combate é difícil devido ao grande número de árvores infectadas. Os biólogos não tem como controlar a movimentação dos pássaros e a Prefeitura não realiza extermínio da praga em árvores domiciliares. "Basta um passarinho que tenha se alimentado da semente da erva defecar sobre uma árvore que tenha sofrido poda, para que nesta volte a se desenvolver a praga", explica o engenheiro florestal Denilson Eugénio Daemme. Definição de planta daninha: "Planta daninha é todo vegetal que cresce onde não é desejado. Quando cresce junto com algum tipo de cultura, interfere no seu desenvolvimento, reduzindo a produção. Uma vez fixada rio hospedeiro, a planta daninha passa a competir pela extração dos elementos vitais: água, luz, C02 e nutrientes, além de exercer inibição química sobre o desenvolvimento das plantas, conhecida como alelopatia. Elas podem ainda comprometer indiretamente certas culturas agrícolas por hospedarem insetos e doenças antes de infestarem as próprias culturas. (CV) (Fonte: Manual de Identificação e Controle de Plantas Daninhas. Lorenzi, Harri) Há cerca de cinco anos, a Prefeitura de Curitiba, através do Sema, mantém um projeto de atendimento e manutenção da arborização pública, que realiza poda, plantios e transferências de árvores na cidade. Uma equipe de 30 funcionários segue uma programação rígida, passando de bairro em bairro e atendendo os pedidos da população. O gerente da arborização pública Roberto Larine Salgueiro acredita que mais de 20% da arborização das ruas de Curitiba esteja comprometida pela "erva-de-passarinho". Ele conta que, há três anos, funcionários do Sema eliminaram completamente a praga de árvores localizadas nas ruas dos bairros Juvevé e Guabirotuba, mas que hoje 10% das plantas já estão novamente infectadas, devido á contaminação feita por árvores residenciais atingidas pela erva. A Prefeitura busca combater a praga das árvores localizadas, nas ruas de Curitiba, mas é preciso que a população também colabore e procure eliminar a erva presente nas árvores de seus quintais", alerta. ` A disseminação da praga é rápida e o grande número de árvores infectadas dificulta o combate." (CV) Quem
quiser solicitar os serviços da equipe de manutenção deve ligar para:
(41 ) 200-1616.
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